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23/07/2010
Obesidade dificulta o atendimento a mulher
A obesidade mórbida está dificultando o atendimento nos serviços de saúde a Denise Aparecida Teixeira, de 32 anos. Com mais de 200 quilos, ela não consegue mais andar e nos últimos meses desenvolveu cálculo renal e na vesícula (pedras nos rins). No último final de semana foi levada duas vezes ao Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde exames constataram o cálculo renal. Mas, na ocasião, ela não tinha condições clínicas para passar por cirurgia, de acordo com a assessoria de imprensa do HC.
“Ela não tem condições de ficar em casa, precisa de internação e da cirurgia para tirar as pedras dos rins e vesícula”, disse a mãe de Denise, Maria Helena Gonçalves da Silva. Ela informou que a filha não consegue comer por causa da doença. “Ela não consegue andar e agora não tem forças nem para segurar o garfo. Precisamos dar comida na boca, senão ela não come”, afirmou a irmã Ana Paula Rodrigues da Silva.
Os vizinhos têm se mobilizado para ajudar Denise e a família, que vivem num barraco na favela do Jardim Santa Mônica, região Norte de Campinas, sem fonte fixa de renda e passando por dificuldades. “Ela precisa de fraldas, de cesta básica, até de lençol”, disse a vizinha Maria de Fátima da Silva. “Fizemos várias rifas para arrecadar algum dinheiro e ajudar a família, mas a situação está se complicando cada vez mais. Ela precisa de atendimento médico”, disse o vizinho Flávio Augusto da Silva Canela. Segundo os familiares, para a remoção de Denise, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) precisa da ajuda do Corpo de Bombeiros. “É preciso pelo menos sete pessoas para colocá-la na ambulância”, afirmou.
Denise é acompanhada pela equipe do Centro de Saúde Santa Mônica, que faz visitas domiciliares regulares e está com agendamento no HC para hoje. “Mandaram ela voltar amanhã (hoje), espero que desta vez fique internada e faça a cirurgia”, disse a mãe.
Segundo a assessoria do HC, Denise era paciente do Ambulatório de Obesidade, mas não conseguiu aderir ao Programa de Merecimento — um esquema de reeducação alimentar em que o paciente precisa perder peso antes de ir para cirurgia — e há anos abandonou o tratamento.
Os exames feitos no final de semana constataram que ela não tem infecção, mas cálculo renal. A dificuldade é que o aparelho de litotripsia, que faz a quebra das pedras por sistema de ondas sonoras, não aguenta seu peso. A alternativa é uma cirurgia para retirada das pedras (colecistectomia). Hoje ela será internada para nova avaliação. O procedimento cirúrgico só ocorre se Denise estiver estabilizada. A assessoria informou também que a liberação ocorreu porque ela não precisa ficar internada, exceto se for para a cirurgia.
Aumento de peso começou depois da segunda gravidez
Sem causa conhecida, Denise Teixeira disse que engordou muito na segunda gravidez, quando tinha 18 anos, e desde então não conseguiu emagrecer, chegando a mais de 200 quilos. Até recentemente ela sobrevivia com bicos variados, de limpeza e passagem de roupa. “Essa minha menina já fez de tudo. Mas agora não consegue andar para trabalhar”, disse a mãe Maria Helena Rodrigues da Silva.
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