Trabalhar na área da saúde exige conhecimento, dedicação e responsabilidade
Dar assistência e vivenciar diariamente as dores, os sofrimentos e as fragilidades dos seres humanos nos estabelecimentos de saúde coloca os profissionais da saúde em geral diante de sua própria vida, saúde, doença e frustrações. Eles ainda estão submetidos em suas funções com tensões de várias fontes, como o receio de cometer erros, relações com pacientes difíceis, dentre outros. Sendo assim, cuidar de quem cuida é condição suficiente para desenvolver projetos voltados para os profissionais da saúde que devem receber fortes investimentos e ser valorizados, pois neles reside o resultado das políticas públicas deste setor. Ainda que existam muitas propostas visando à implantação de programas de humanização na assistência à saúde, poucos são os projetos voltados para a formação dos trabalhadores da saúde.
Acreditamos que a humanização do sistema deve ter início na atenção e no preparo dos profissionais da saúde. Afinal, a base das relações com os pacientes é feita por estes trabalhadores, que estão diariamente nos estabelecimentos de saúde, e o princípio básico deve ser a melhoria das condições gerais para realizar seu trabalho de modo digno e com qualidade.
Fortalecer os mecanismos técnicos e éticos, que são apresentados diariamente aos pacientes pela presença solidária do profissional, deve ser o princípio do que se denomina, atualmente, a política de saúde humanizada. Por humana, deve ser entendida a relação dos trabalhadores da saúde, independente do setor em que cada um se insere, com os pacientes, garantindo uma relação de compreensão e no sentimento de confiança e solidariedade que deve prevalecer desta relação.
O Sinsaúde Campinas e Região tem uma forte atuação em programas educativos que visam o aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores da área, seja em nível técnico, levando mais conhecimentos sobre as atividades inerentes aos setores básicos de um estabelecimento, até a abordagem ética que deve prevalecer nas relações pacientes-profissionais da área. Os avanços desta política, que é A começar pelos profissionais da área administrativa, que fazem o acolhimento dos pacientes; passando pelos que atuam no setor de preciso destacar, é uma iniciativa da própria entidade e que, atualmente, não conta com nenhum subsídio governamental, são notórios e podem ser medidos pelos depoimentos de pacientes que fazem questão de ressaltar o tratamento recebido.
Enfermagem, responsáveis pelos cuidados gerais de medicação, controle dos sinais vitais, dentre outros; até os profissionais do setor de apoio, que garantem o funcionamento dos equipamentos, a nutrição adequada, higienização de roupas e do espaço hospitalar. Juntos, estes profissionais formam uma rede interligada de cuidados com os pacientes. Cada qual no seu setor, realizando com profissionalismo e espírito ético suas funções, formam a segunda família que todos precisamos quando necessitamos de uma consulta médica, realizar um exame ou quando é imperiosa a decisão de internação num hospital para o restabelecimento da saúde.
É essa segunda família que garante o retorno mais rápido às atividades diárias e é a que assiste ao paciente e à família até os últimos instantes de vida. Pesquisas realizadas em hospitais brasileiros mostraram que quando se trabalha com profissionais preparados é grande a melhora do ambiente hospitalar. Dentre as vantagens estão benefícios, como a redução do tempo de internação, aumento do bem-estar geral dos pacientes e funcionários e diminuição das faltas ao trabalho entre a equipe de saúde, e, como consequência, o hospital também reduz seus gastos, trazendo benefícios para todos.
E neste mês de maio, quando comemoramos o Dia Estadual do Trabalhador da Saúde (12 de maio), reivindicamos das autoridades governamentais da saúde a adoção de programas de aperfeiçoamento voltados para os trabalhadores da saúde da rede conveniada, responsável por 70% do atendimento no Brasil. Queremos também mostrar aos trabalhadores que seu trabalho exige mais que conhecimento técnico; exige dedicação, responsabilidade e comportamento ético.
Buscamos, por fim, mostrar à população o quanto esses trabalhadores devem ser valorizados e a responsabilidade que cada cidadão tem de exigir do governo maior qualidade de atendimento e condições de aperfeiçoamento profissional de quem atua na área da saúde.
Afinal, quando menos se espera, os trabalhadores da saúde se tornam, efetivamente, a nossa segunda família.
Edison Laércio de Oliveira é presidente do Sinsaúde e da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo.
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