Obrigado por não fumar
O aumento de impostos, as restrições em relação aos locais onde se pode fumar e a proibição da publicidade de cigarros são hoje as
três ferramentas mais eficazes no combate ao tabagismo.
Ao proibir que se fume em ambientes fechados de uso coletivo, a lei antifumo instituída no dia 7 de agosto de 2009, estabelece uma
mudança de comportamento com reflexos diretos na saúde pública. Mesmo a lei não proibindo o cigarro, ela se mostrou bem eficaz como estímulo
para quem quer parar, pois observamos que as pessoas perceberam que conseguiam passar mais tempo sem fumar. É claro que o apoio de 99% dos
estabelecimentos como hospitais, casas noturnas, bares e restaurantes (estes últimos com resistência), colaborou para a conscientização dos
fumantes. A medida alinha São Paulo com a tendência internacional de combate aos males causados pelo tabagismo, principalmente em relação ao
fumo passivo.
Cerca de 500 fiscais da Vigilância Sanitária e do Procon foram especialmente treinados para fiscalizar o cumprimento da lei, realizaram blitze
diárias nos estabelecimentos, em diferentes horários, incluindo madrugadas, além de firmar uma parceria com quatro operadoras de telefonia móvel -
Vivo, Tim, Oi e Claro - para disparar torpedos alertando sobre a legislação. Com quase dois meses de vigência da lei antifumo no Estado de
São Paulo, foram fiscalizados cerca de 40 mil estabelecimentos e 198 multas foram efetuadas, mas os resultados estão aí e são considerados positivos.
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável. A OMS estima que mais de 1 bilhão de pessoas
no mundo sejam fumantes. No Brasil, cerca de 20% da população acima dos 15 anos é adepta do fumo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer
(Inca), esse hábito é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano e também leva ao registro de mais de 27 mil casos de câncer de pulmão, e mais
de 14 mil casos de câncer na cavidade oral, por ano.
Quem mais sofre é o tabagista passivo, aquele que inala a fumaça de derivados do tabaco (cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo...), e essa
poluição se torna mais grave em ambientes fechados. Segundo a OMS, o ar poluído em ambientes fechados contém, em média, três vezes mais nicotina,
três vezes mais monóxido de carbono, e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de
passar pelo filtro do cigarro.
Nos hospitais é possível perceber que com a facilidade de acesso a informações relativas aos males que o vício causa, aumentou a procura de
tratamento para deixar o cigarro, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Em entrevista a Folha de S. Paulo, o secretário de saúde, Luiz
Roberto Barradas, afirma que depois que a lei entrou em vigor aumentou a procura nos serviços públicos para parar de fumar. A dependência do tabaco
ainda é grande e muito complexa, com envolvimento de questões psíquicas e físicas. Pesquisa realizada pelo Centro de Referência de álcool, Tabaco e
Outras Drogas (Cratod) mostra que 86% dos médicos não abordam o tema tabagismo nas consultas, mesmo quando a doença está associada ao fumo.
Outro resultado benéfico à população é o aumento da tributação sobre o cigarro de 20% a 25%, decidido pelo governo em abril. A perspectiva é
que o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) deve reduzir o consumo do produto no Brasil num período de três a seis meses, na
avaliação de médicos especializados em tratamento de tabagismo.
Essa alternativa desagrada os fumantes, mas contribui para a saúde dos brasileiros de modo geral. O cigarro, que já foi sinal de glamour em filmes
de Hollywood, é hoje malvisto no mundo todo e os fumantes custam fortunas aos sistemas de saúde pública e colaboram decisivamente para os índices
de morte prematura em todos os países. Estudos da Organização Mundial de Saúde indicam que um aumento de 10% nos impostos sobre o fumo geralmente
acarreta uma queda de 8% no consumo de cigarros nos países em desenvolvimento, como o Brasil.
A diretoria do Sinsaúde aderiu a legislação que está sendo respeitada em todos os espaços da entidade. Mais do que isso, a diretoria elaborou uma
campanha de comunicação especialmente voltada para os profissionais da saúde alertando sobre os males do cigarro e a importância de adesão a esta
campanha de saúde pública.
Perceber que fumantes e não-fumantes, nesse curto espaço de tempo da vigência da lei, se mostram unidos no desejo de enfrentar os males do cigarro,
sejam os causados pelo fumo ativo, ou pelo fumo passivo é um indício de que a estratégia do governo de São Paulo pode se firmar em longo prazo, só
necessita do apoio de todos.
Nós estamos integrados nesta batalha porque defendemos a saúde.
Edison Laércio de Oliveira
presidente do Sinsaúde Campinas e Região e da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo
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