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A gripe suína e a saúde dos trabalhadores da Saúde

Com as más condições sanitárias das cidades e o desconhecimento da etiologia das doenças infecciosas, vemos que grandes epidemias e mesmo pandemias assolam os países de tempos em tempos, como gripe espanhola, peste negra ou bubônica, malária, varíola, entre outras. E assim, por milênios, vemos o ser humano convivendo com catástrofes na área da saúde, cujos relatos mostram o rastro de horrores deixados por elas.

No mundo atual, voltamos a conviver com outras epidemias, a exemplo da Aids, febre amarela, dengue, gripe aviária ou, a mais recente, a gripe suína. Caracterizada como pandemia, até o início de julho a gripe suína atingiu 122 de um total de 192 países, com cerca de 120 mil pessoas contaminadas e mais de 700 mortos. Em Campinas, são 114 casos confirmados, com oito mortes e três surtos.

Após a declaração de transmissão comunitária em 16 de julho, o Ministério da Saúde passou a realizar o monitoramento apenas das mortes e casos de síndrome Respiratória Aguda Grave, de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, foram registrados 17.277 casos suspeitos de influenza no Sinan, sendo 17,1% (2.959) confirmados para influenza A (H1N1).

Os profissionais da Saúde têm um trabalho exemplar no atendimento aos infectados e como suporte das autoridades da área da saúde junto à população. Isto não os deixa imunes às doenças altamente transmissíveis, ao contrário, faz com que integrem um grupo em constante risco. Tanto é assim que Campinas já noticiou o primeiro caso de morte de uma profissional da saúde, além de existirem outros trabalhadores contaminados.

Os riscos a esses trabalhadores podem ser minimizados por medidas preventivas que devem ser recomendadas pelos órgãos da saúde em todas as suas esferas e, consequentemente, observadas pelos estabelecimentos de saúde, seja em nível de aquisição e utilização de equipamentos de segurança, seja por meio da orientação prática dos seus profissionais.

Recentemente, promovemos um produtivo debate em conjunto com a Câmara Municipal de Campinas, por meio da liderança do vereador Dario Saadi, no qual conseguimos avanços importantes, como o compromisso de integrar as reuniões promovidas pela Vigilância Sanitária, que gerencia as políticas de controle da doença junto aos estabelecimentos de saúde. Também conseguimos com que as trabalhadoras gestantes, por serem mais suscetíveis ao mal, sejam afastadas do trabalho até que a situação esteja mais controlada.

O Ministério da Saúde e seus órgãos associados criaram normas de procedimentos tanto para os profissionais da saúde quanto para os enfermos, visando impedir a disseminação da doença. A divulgação das regras para a população tem sido bem feita e com resultados satisfatórios.

Mas quando se trata de checar a eficiência da comunicação com os profissionais da saúde, vemos que existem lacunas importantes. Seja porque se supõe que estes trabalhadores já conhecem previamente as normas de prevenção ou que os estabelecimentos estejam fazendo este trabalho, mas a verdade é que, ao final, pouco foi feito para esclarecer os profissionais como agir diante da epidemia.

Se os hospitais, em geral, já respeitassem as normas contidas na Norma Regulamentadora n 32 (NR-32), que regulamenta a segurança no ambiente de trabalho, o assunto seria menos preocupante. Enquanto isso não acontece, é primordial que os órgãos de saúde recomendem medidas práticas que visem garantir mais saúde e segurança no ambiente de trabalho.

Temos tentado dar nossa contribuição, exigindo da Vigilância Sanitária uma ação mais efetiva junto aos hospitais, visando à disseminação, junto aos profissionais da saúde, de informações preventivas que devem ser obedecidas para que o atendimento à população seja feito com o mesmo profissionalismo, mas com segurança. Acreditamos que, se cada um fizer a sua parte, mas de forma integrada, conseguiremos superar este difícil momento na saúde mundial.

Edison Laércio de Oliveira é presidente do Sinsaúde Campinas e Região e da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo

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