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A saúde dos trabalhadores da saúde

Com as más condições sanitárias das cidades e o desconhecimento da etiologia das doenças infecciosas, vemos que grandes epidemias e mesmo pandemias assolam os países de tempos em tempos, como gripe espanhola, peste negra ou bubônica, malária, varíola, entre outras. E por milênios, ao longo da história, vemos o ser humano convivendo com catástrofes na área da saúde. A história nos relata os horrores causados por elas, o número de mortes e o caminho seguido para a sua cura com a descoberta de medicamentos e vacinas que permitiram o controle dos males.
Não vemos, entretanto, qualquer referência aos trabalhadores da saúde, estes profissionais dedicados e responsáveis por cuidar das pessoas afetadas e também por orientar as populações quanto às medidas para evitar a contaminação.
No mundo atual, voltamos a conviver com outras epidemias, a exemplo da Aids, febre amarela, dengue, gripe aviária ou, a mais recente, a gripe suína, já caracterizada como pandemia, uma vez que de um total de 192 países, a doença atinge 122, com cerca de 120 mil casos até 21 de julho e mais de 700 mortos.
O exemplo visto por centenas de anos continua a ser dado pelos profissionais da saúde, que seguem seu trabalho de atender os infectados e prestar o apoio necessário para a população e para as autoridades da área da saúde, visando à prevenção da enfermidade. Isto não os deixa imunes às doenças altamente transmissíveis, mas ao contrário, faz com que integrem um grupo em constante risco.
Entretanto, pode ser minimizado por medidas preventivas que devem ser observadas pelos estabelecimentos de saúde, seja em nível de aquisição e utilização de equipamentos de segurança, seja por meio do preparo prático dos seus profissionais.
E o que está sendo feito nesse sentido? Infelizmente ainda pouco. Mesmo que existam hospitais específicos, que foram credenciados pelos órgãos oficiais da saúde, para o atendimento de endemias como a gripe suína/Influenza A, sabemos que a recepção aos casos pode acontecer em qualquer estabelecimento.
Por isso, o Ministério da Saúde e seus órgãos associados criaram normas de procedimentos tanto para os profissionais da saúde quanto para os enfermos, visando impedir a disseminação da doença.
Do que consta a divulgação das regras para a população, esta tem sido bem-feita e com resultados satisfatórios, o que pode ser constatado pelo uso de máscaras de proteção ou pelo nível de suspensão de viagens para os países mais afetados.
Mas quando se trata de checar a eficiência da comunicação com os profissionais da saúde, vemos que existem lacunas importantes. Seja porque se supõe que estes trabalhadores já conheçem previamente as normas de prevenção ou que os estabelecimentos estejam fazendo este trabalho, mas a verdade é que, ao final, pouco foi feito para esclarecer como agir diante da epidemia.
Se os hospitais, em geral, já respeitassem às normas contidas na Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32), que regulamenta a segurança no ambiente de trabalho, o assunto seria menos preocupante. A verdade, entretanto, é que isso ainda não é realidade, exigindo dos órgãos de saúde de nível estadual e federal, medidas práticas que visem garantir mais saúde e segurança no ambiente de trabalho.
Ainda que não seja diretamente o nosso papel, temos tentado dar nossa contribuição para que os trabalhadores tenham conhecimento necessário das medidas preventivas que devem seguir para atender à população com o mesmo profissionalismo, mas se expondo menos aos riscos de doenças tão sérias como estas que insistem em acometer o ser humano. Esta edição da Em Cena traz reportagem especial sobre o assunto e, por Campinas, iniciamos importante debate que visa levar estes esclarecimentos aos trabalhadores. Esperamos, entretanto, que os demais representantes da saúde façam a sua parte.

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